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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

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O Ano do Dragão - Artigo

Texto de Roberto Luis Troster, consultor e doutor em economia pela USP, foi economista chefe da Febraban e da ABBC e professor da USP, Mackenzie e PUC-SP.

"O ano de 2012 corresponde ao 4710 no calendário chinês e está associado à sua única criatura mítica, o dragão, considerado o rei dos animais e símbolo da sabedoria, força, saúde e da harmonia - é colocado em cima de portas para espantar demônios e atrair sorte. Algo oportuno para os períodos de transformações. Na China Antiga, dragões eram também usados como guardiões dos tesouros.



O ano que vem será de mudanças, menos pelos protestos em centenas de cidades no mundo, como o "ocupe Wall Street", a "Primavera Árabe" e as passeatas aqui, e mais pelo quadro econômico e político que exige adaptações. Quem não se adequar à nova realidade afundará. 2012 começará desalentador, com volatilidade, estresses e ritmo lento, mas ao longo do ano observar-se-á uma melhoria com uma retomada mais consistente da economia mundial.

Coincidência ou não, o setor que mais exige ajustes e será o centro das atenções é o de guardiões do tesouro moderno: o financeiro. Antes da crise, os bancos eram considerados os propulsores da economia mundial; atualmente, são seu maior entrave. Há cinco desafios a serem superados: equacionar as dívidas soberanas, rolar os financiamentos do setor privado, começar a receber as dívidas contraídas, manterem-se solventes e, o mais importante, voltar a emprestar. Exigirá um esforço especial dos banqueiros e seus reguladores.

Na última década, na maioria dos países, com exceção da China, a política econômica esteve orientada pela demanda - com crédito bancário abundante e déficits fiscais generosos. Em 2012 tem que haver uma mudança de protótipo e a economia passará a ser conduzida pela oferta, com foco em mais eficiência e inovação. Keynes sai de cena e entra Schumpeter como ator principal. A capacidade de reinventar-se é que vai determinar o sucesso, ou fracasso, de cada país. Os casos mais dramáticos são os europeus e a Argentina.

No velho continente, o impasse entre os alemães que querem das nações mais endividadas um compromisso maior com o euro é complexo e tem dimensões econômicas, políticas, soberanas e culturais. Mas os problemas se resolvem, de uma forma - adequando-se que é o mais provável, ou de outra. É fato, a demora em superar a crise impõe um custo elevado, mas a união monetária sairá mais fortalecida e mais bem estruturada, com ou sem os gregos. Fazer com que políticos, economistas, banqueiros e eleitores cheguem a um único consenso é um trabalho hercúleo e demanda tempo, suor e imaginação.

A Argentina necessita reinventar-se urgentemente; seu "modelo" está esgotado. Lá se observa uma inflação crescente, investimento baixo, fuga de capitais e a capacidade fiscal do governo reduzida. Com bastante racionalidade econômica, alguma sorte e um pouco de financiamento externo ainda é possível fazer ajustes e evitar maiores problemas. Alguns passos foram dados. Um novo paradigma pode fazer o país hermano acontecer, caso contrário, a culpa cairá sobre a crise externa.

Os Estados Unidos já apresentam sinais indicando que o pior já passou. Os remédios aplicados estão começando a fazer efeito; números recentes de emprego, crédito, vendas e produção estão fracos mas positivos e apontando para uma recuperação. Observar-se-ão alguns estresses, mas é um quadro que dificulta a vida dos republicanos e melhora as chances de reeleição de Barack Obama.

A China continua como locomotiva do planeta e prepara-se para ser a maior economia do mundo em dois anos, mais precisamente em 2014, o ano do cavalo. Há décadas cresce com políticas de oferta, o aumento da demanda em outros países com crédito e gastos fiscais ajudou-a a expandir sua indústria e a acumular reservas. Atualmente, aparenta ter controlado as pressões inflacionárias e deve manter o ritmo de expansão no ano vindouro. Sua influência global deve aumentar e o yuan já começa ter um papel nas finanças internacionais, mais por conta da má gestão do euro e do dólar do que por méritos próprios.

O ritmo de atividade mundial começa mais devagar por conta da ressaca da crise e aos poucos aumenta, com um segundo semestre melhor que o primeiro. O cenário internacional anêmico não é totalmente desfavorável ao Brasil. No canal comercial, a demanda de commodities deve sustentar-se e o preço das suas importações deve arrefecer, as projeções mostram saldos comerciais melhores com a crise externa. No lado financeiro, as perspectivas de investimento externo são altas, e uma parte dos fluxos que entram estão canalizados para investimentos produtivos, contribuindo de forma favorável para o crescimento nacional.

A economia brasileira deve andar de lado no começo do ano, mais em razão do ciclo dos estoques do que por conta da crise. Com ou sem estímulos da demanda agregada, a retomada do crescimento acontece a partir do segundo trimestre. A oportunidade para o Brasil crescer a taxas mais altas estará presente com a janela demográfica, a demanda externa, o fluxo de investimentos estrangeiros e o pré-sal, que pode tornar o país o quinto maior produtor de petróleo do mundo em alguns anos.

Este é um exemplo emblemático, que mostra as duas opções de desenvolvimento para o Brasil com a descoberta de jazidas: o venezuelano e o norueguês. No vizinho, são privilegiadas as políticas para usufruir ao máximo as receitas do petróleo; no país do norte, a tônica são ações que sustentem o crescimento, investindo os recursos. Aqui há um amplo debate sobre a distribuição dos royalties, já seu uso é tratado como uma questão menor. Obviamente, a qualidade da condução política brasileira é melhor do que a do país ao lado, mas há espaço para aprimoramentos. O Brasil tem as condições para fazer acontecer. A questão é ajustar o modelo e evitar os erros que outros cometeram e não repetir a história nacional (leia-se ciclos da borracha, do ouro etc.).

No ano do dragão haverá mais crises políticas no Oriente Médio, em Cuba e na Venezuela, mas também uma consolidação do euro e Londres 2012. Haverá mais aquecimento global e Rio +20 para evitar que piore; observar-se-ão mais inovações e o começo de um novo ciclo de expansão. A economia mundial terá quatro pelotões com velocidades diferentes: os países na fase mais crítica de ajuste, como a Grécia, com números negativos; os desenvolvidos, como EUA e Japão, a taxas baixas; a América Latina num patamar mais elevado e a China e a Índia no pelotão de elite. A questão é fazer o Brasil subir ao pódio, sobram desejos. Feliz 2012 a todos!"

Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

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Produção industrial da China tem menor expansão em 2 anos

A produção industrial da China cresceu no menor ritmo em mais de dois anos e a inflação desabou em novembro, com a piora das condições econômicas, gerando expectativa de que Pequim adote mais estímulos monetários.


Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que a expansão da produção industrial desacelerou para 12,4% no mês passado --a menor taxa desde agosto de 2009--, abaixo da previsão de 12,8%.

A inflação anual na China tombou em novembro para 4,2%, o menor nível desde setembro de 2010 e ligeiramente abaixo das expectativas. Foi a primeira vez desde fevereiro que a inflação ficou abaixo em menos de 5%.

A inflação tem caído rapidamente desde julho, quando atingiu 6,5%, o maior patamar em três anos. Esse esfriamento permitiu que Pequim mudasse sua posição de política monetária para oferecer apoio à economia, especialmente porque a alta dos preços está agora mais perto da meta de 4% para 2011 como um todo.

As vendas no varejo aumentaram 17,3% em relação a um ano atrás, ligeiramente ultrapassando o ritmo de 17,2% registrado em outubro e contrariando economistas, que esperavam desaceleração para 16,9%.

O crescimento econômico da China desacelerou em três trimestres consecutivos e economistas esperam amplamente que a expansão de 2012 fique abaixo de 9% pela primeira vez desde 2001, conforme o país sente o impacto da crise de dívida da zona do euro e do enfraquecimento da demanda vinda dos Estados Unidos.

O Gabinete Político do Partido Comunista, a principal instância dirigente do país, afirmou que o governo da China continuará a aplicar uma política monetária "prudente" e uma política orçamentária de apoio à economia em 2012, informou a agência oficial Xinhua.

O anúncio precede uma reunião sobre a política econômica que o próprio Gabinete Político convocou para a próxima quarta-feira.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

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China investe no Brasil somente metade do que anuncia

A China investe no Brasil somente metade do que anuncia, de acordo com um levantamento feito pela Folha dos principais projetos no país. A reportagem, de Patrícia Campos Mello e Gustavo Hennemann, foi publicada na edição deste domingo da Folha.

Dos projetos chineses no Brasil anunciados em 2009 e 2010, 25% não saíram do papel e 29% são financiados por grupos brasileiros ou de outra nacionalidade.

Um exemplo é a fábrica da montadora chinesa JAC Motors na Bahia. Do investimento total anunciado de R$ 900 milhões, 80% virão do sócio local.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

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Vale e BHP mudam negociação e preço do minério deve cair mais

As mineradoras Vale e BHP Billiton estão mudando a maneira de negociar a venda de minério de ferro e as novidades devem dar volatilidade ao mercado, com preços recuando ainda mais no curto prazo, avaliam analistas consultados pela Reuters.

As grandes mineradoras estão ajustando as formas de negociar o produto, buscando apaziguar as posições de seus principais clientes.

Segundo uma fonte do mercado que pediu para não ser identificada, a Vale resolveu flexibilizar uma cláusula contratual que impedia que variações de até 5% nos preços do minério no mercado à vista -- spot --, para baixo ou para cima, fossem repassadas para o preço acertado em contratos trimestrais.

"Consultei a Vale nas últimas semanas e eles disseram que poderiam rever esta cláusula", disse.

Em condições normais, contratos trimestrais são baseados na média de preços à vista em um período de três meses até um mês antes do começo de cada trimestre.

O preço no quarto trimestre poderia ficar estável, considerando a cláusula, mas sem ela os valores poderiam cair.

CHINA

Fontes na China disseram na última semana que a Vale também estaria oferecendo a seus clientes a possibilidade de mudar a precifiação do quarto trimestre para uma base de preços à vista de outubro a dezembro.

Isso faria com que os valores pudessem refletir mais rapidamente a queda no mercado à vista, praticamente descartando o sistema de ajustes trimestrais instalado há pouco tempo.

De acordo com o analista Raphael Biderman, superintendente da área de metais da Bradesco Corretora, a Vale sempre oferece a seus clientes de contratos firmes a chance de migração para o mercado à vista.

Procurada, a mineradora informou que não comentará o assunto.

A tonelada do minério de ferro entregue na China, no mercado à vista, está cotada nesta segunda-feira em US$ 153,4, queda de 15% ante os US$ 181 no dia 7 de setembro, antes do recrudescimento da crise.

O preço no mercado à vista reflete a incerteza sobre demanda global de aço.

Fonte: Folha.com

sábado, 24 de setembro de 2011

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Sem fábrica, JAC perde negociação do IPI

Sem garantias de instalar uma fábrica no Brasil, a importadora da JAC no país perdeu a principal moeda de troca para negociar com o governo brasileiro alternativas ao aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros importados.


O anúncio do congelamento de investimento de US$ 600 milhões no país foi feito à Folha pela assessoria da JAC na China. A empresa considerou que a decisão do governo brasileiro foi "descontínua, irracional e parcial" e que afetou a confiança.

Com a garantia de uma fábrica no Brasil, o presidente da importadora Sérgio Habib esperava uma permissão do governo para comercializar os carros sem o aumento no IPI - tudo isso enquanto investia para ter os 65% de conteúdo nacional na produção.

À essa manobra, Habib chegou a dar o nome de "regime automotivo diferenciado". Antes de ser surpreendido pelo anúncio da matriz chinesa, o empresário afirmou que buscava reuniões com o governo brasileiro para conseguir o benefício.

Porém, ontem ele não quis dar declarações. Por meio de sua assessoria, informou que embarcaria para a China neste fim de semana com o objetivo de se encontrar com o presidente da JAC e discutir a retomada dos investimentos de uma fábrica no Brasil.

Fonte: Folha.com

terça-feira, 23 de agosto de 2011

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Brasil tem de se reinventar para tratar com a China, diz Antonio de Castro

Morreu, neste domingo (21), o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Antônio Barros de Castro, 73, vítima de um desabamento, no Rio. Abaixo, leia entrevista concedida à jornalista Claudia Antunes no dia 11 de abril deste ano.


O Brasil tem de se reinventar para ser bem-sucedido em uma economia mundial radicalmente mudada pela China, diz o economista Antonio Barros de Castro.

Diante da competição chinesa, afirma ele, não adianta proteger setores industriais para que eles fiquem "um pouco mais sofisticados", como se fez no passado, porque os asiáticos fazem o mesmo com maior velocidade.

"Mesmo se o câmbio e o custo Brasil forem neutros, boa parte da indústria brasileira não é competitiva porque o sistema industrial chinês é mais eficiente."
Barros de Castro diz que o Brasil deve aproveitar a "trégua" oferecida pelo boom de matérias-primas para desenvolver produtos originais, como plástico de álcool e aços especiais usados na exploração de petróleo.

Folha - O sr. vem estudando as mudanças provocadas pela China. Qual a conclusão?

Antonio Barros de Castro - Há seis anos eu comecei a suspeitar que a emergência chinesa representava uma ruptura na trajetória do sistema econômico mundial. Não se tratou de uma mudança só de tamanho, de aumento do peso do país.

Que ruptura é essa?

Antonio Barros de Castro - Nos anos 50, o economista alemão Hans Singer sintetizou assim o dilema da época: "Países industrializados têm o melhor de dois mundos, como consumidores de produtos primários e produtores de manufaturados, enquanto os subdesenvolvidos têm o pior, como consumidores de manufaturas e produtores de matérias-primas".

Ele se baseava na tendência de queda dos preços das matérias-primas, enquanto os dos industrializados ficavam iguais ou subiam.

Com a ascensão do leste asiático, capitaneada pela China, isso virou de pernas para o ar. Países mais atrasados compram manufaturados baratos e exportam matérias-primas cada vez mais caras. Angola, por exemplo, cresce a 15% ao ano. É um movimento tectônico.

Mas o Brasil teme a desindustrialização. Como o país pode se adaptar a isso? Há exemplos bem-sucedidos?

Antonio Barros de Castro - As realidades são diferentes. Uma parte da Ásia evoluiu com a China e não enfrenta os mesmos dilemas enfrentados pelo Brasil.
Outro bloco já havia se especializado na exportação de matérias-primas, incluindo latino-americanos como o Chile. Agora, os clientes pagam melhor, mas historicamente esse caminho tende a ser visto como maldito.

Estados Unidos, Alemanha e Japão ainda podem ser dinâmicos combinando capacidade alta de inovação com a vigilância de seus direitos de propriedade intelectual. Já o Brasil é um híbrido industrial e agrícola.

Mas só o lado agrícola continua competitivo. Por quê?

Antonio Barros de Castro - Nos anos 90 e no início deste século, a indústria brasileira se preparou para competir com os produtos dos EUA e da Europa. Conseguiu bons resultados, basta ver o crescimento das exportações de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, entre 2003 e 2005.
Mas durou pouco. As exportações de produtos primários foram de 30% do total em 2004 para 44% em 2010, e as de manufaturas caíram de 57% para 43%.
Isso ocorreu porque a competição deixou de ser com EUA e Europa e passou a ser com o sistema comandado pela China. Atualmente, um país como o Brasil, que no novo contexto tem vantagens máximas no setor primário e mínimas no industrial, tem que se reinventar.

Como?

Antonio Barros de Castro - Falando de maneira simplificada, temos duas opções. A primeira é proteger a indústria que existe, tentando agregar valor às cadeias de produção, completando-as e sofisticando-as. Foi o caminho entre 1950 e 1980.

Mas havia a premissa, correta na época, de que as economias mais avançadas eram tecnologicamente maduras e tinham crescimento lento da produtividade. Tratava-se de fechar um hiato, atingir um nível em que nossos concorrentes estavam mais ou menos parados ou evoluíam devagar.

Essa premissa hoje não existe mais. Nossos concorrentes ainda estão amadurecendo, estão alcançando novos patamares de produtividade e agora aumentando o esforço tecnológico para acelerar sua eficiência.

A China busca produtos menos poluentes, verdes. Está exportando fábricas para países vizinhos e deslocando outras para sua região oeste, com mão de obra mais barata. É o que chamo de China 2.

A China 1 é a do "made in China" (fabricado na China), e eles deram uma surra baseada em trabalho barato e em imitação tecnológica. A China 2 quer ser a do "created in China" (criado na China).

Portanto, o ataque vem de baixo. Só faz sentido reforçar aquilo em que temos chance de correr mais rápido do que eles, que é a nossa segunda opção. O resto tem que ser redirecionado ou desaparecer.

E temos tempo?

Antonio Barros de Castro - Sem nosso potencial em produtos primários, em longo prazo estaríamos numa situação dificílima.

Mas hoje temos três bons problemas: segurar o balanço de pagamentos por 10 ou 15 anos com petróleo, outras matérias-primas e produtos agrícolas; manter a expansão do mercado interno colocando areia para limitar a sua ocupação por importações; e desenvolver o potencial industrial visando não otimizações, mas mudanças.

Não tem que melhorar, tem que mudar. Otimização a China faz melhor.

Quando o sr. fala em colocar areia, significa proteção.

Antonio Barros de Castro - Não estou reproduzindo o discurso de que é atrasado proteger. O que digo é que não adianta proteger quando sua produtividade cresce mais devagar do que a do concorrente.

Um produtor de válvula brasileiro, por exemplo, está condenado. Ele sabe que pode não morrer hoje, mas morre no próximo governo.
É necessário conter as importações não para que algumas indústrias sobrevivam, mas para que possam ser transformadas.

Em que casos apostar?

Esse mapa completo ainda deve ser feito. Seriam setores protegidos pela especificidade dos nossos recursos naturais, por costumes, estrutura industrial e demanda. Áreas em que o chinês não está nem vai estar.

Não proponho uma volta ao agrário. O agrário é uma trégua para você, por exemplo, construir uma indústria ligada ao pré-sal, de satélites, de novos materiais, de aços especiais. É aplicar os conhecimentos existentes para desenvolver coisas próprias e originais.

A química do etanol permite desenvolver plásticos verdes. A indústria automobilística chinesa deseja vir para cá? Vamos fazer um acordo para em dez anos os plásticos serem todos verdes; nós garantimos a evolução do produto. É usar a China como mercado.

É possível mudar os tratores para que eles se adaptem às necessidades do Brasil. Não é pegar o americano e fazer outro um pouco mais sofisticado. É fazer máquinas adaptadas às condições tropicais de solo, clima.

O embaixador chinês, respondendo às críticas ao câmbio desvalorizado do país, disse que cabe ao Brasil se tornar mais competitivo. Ele está certo?

Antonio Barros de Castro - Os chineses acham que se a gente trabalhar mais e for mais sério não teremos problemas. Não é isso, é uma questão de estratégia.

A indústria reclama do câmbio e do custo Brasil (impostos, infraestrutura). Há alguma razão nisso?

Antonio Barros de Castro - Se o câmbio e o custo Brasil forem neutros, boa parte da indústria brasileira não é competitiva porque o sistema industrial chinês é mais eficiente. Até 2004, eles já arrombavam todos os mercados e não tinham câmbio desvalorizado.

Alega-se que antes os produtos chineses eram só mais baratos, porque o salário era ínfimo e a fábrica era um galpão velho. Mas agora são boas fábricas e amanhã serão excelentes. A produtividade sobe tão rápido que, mesmo com a alta dos salários, os produtos ainda podem custar menos.

O real está sobrevalorizado? Claro, sou 100% a favor de botar areia no câmbio. Agora, ou você enfrenta as causas da nossa perda relativa de competitividade ou não vai a lugar nenhum.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

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China doa US$ 16 milhões para luta contra fome na Somália

A China se transformou no maior doador do Programa Mundial de Comida (WFP, na sigla em inglês) graças aos US$ 16 milhões doados, que se unem aos mais de US$ 20 milhões da comunidade internacional.

A doação, segundo informou nesta segunda-feira a agência Xinhua, é destinada à luta contra a fome na Somália, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas recebem "porções de emergência" devido às condições de extrema necessidade que padecem.

"Este fato demonstra a generosidade, o bom coração e a preocupação com o povo necessitado ao redor do mundo", assegurou o diretor-executivo do WFP, Amir Mahmoud Abdullah, que também destacou a "importante presença da China" nestes programas.

Esta iniciativa quer atenuar a situação de um país sem um Governo forte que arrasta as sequelas de décadas de instabilidade e onde mais de 3,6 milhões de seus 8 milhões de habitantes correm risco de morrer de fome e mais da metade das crianças estão desnutridos.

O WFP, fundado em 1962, é a maior organização de luta contra a fome em nível mundial e, desde sua fundação proporcionou assistência em situações de emergência tais como terremotos, tsunamis e inundações assim como a refugiados e deslocados por causa de guerras.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

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China aumenta participação na dívida americana

Maior credor dos Estados Unidos, a China continua elevando sua exposição à dívida norte-americana, apesar da preocupação do governo chinês sobre "a responsabilidade" do governo americano em honrar seus compromissos com investidores.

Os números que mostram aumento da exposição chinesa à dívida americana, divulgada pelo Departamento do Tesouro americano nesta segunda-feira, são de maio. Portanto, antes das críticas.

Mas também foi em maio que os EUA atingiram o limite de endividamento, de US$ 14,3 trilhões. Desde então, uma briga política é travada entre a Casa Branca e a oposição Republicana para elevar o teto da dívida. O Congresso tem até 2 de maio para fazer a mudança, sob pena de os investidores deixarem de receber.

Em maio, a China comprou o equivalente a US$ 7,3 bilhões em títulos, aumentando para US$ 1,16 trilhão o volume de títulos da dívida dos EUA nas mãos do governo chinês. Foi o segundo mês seguido de aumento, depois de cinco meses seguidos em que a China reduziu as aplicações de suas reservas em papéis americanos.

"Esperamos que o governo americano adote políticas e medidas responsáveis para garantir os interesses dos investidores", disse Hong Lei, porta-voz do Ministério do Exterior da China, depois de a agência de classificação de risco Moody's alertar que iria reduzir a nota de risco americana para "default" se o teto da dívida não for elevado até 2 de agosto.

ESTRANGEIROS

A participação dos estrangeiros como credores dos EUA cresceu no mês de maio em 0,6%, para US$ 4,51 trilhões.

O relatório do Tesouro mostra que o apetite de investidores não só chineses, mas de outras partes do mundo, não foi reduzido depois de a administração pública atingir seu limite de endividamento.

Desde que a dívida bateu no teto legal, em 16 de maio, o Tesouro dos EUA contam com manobras para manter seu caixa. Mas o Tesouro já visou que ficará sem recursos em 2 de agosto. Se um acordo político não for alcançado até a data, os EUA poderão declarar moratória por um curto período, o que será inédito e pode desencadear uma nova crise global.

O diretor do Escritório de Orçamentos da Casa Branca, Jack Lew, descartou no domingo (17) que os Estados Unidos vão declarar moratória perante a falta de acordo para subir o limite de endividamento e assinalou que a questão em "discussão é como será feito".

"Não acho que os líderes responsáveis em Washington vão levar à moratória. Acho que todos os líderes do Congresso e o presidente reconheceram que devemos subir o teto de dívida e a questão é como", disse Lew em entrevista na emissora de televisão "ABC".

Na semana passada, Obama convocou diariamente os líderes republicanos e democratas no Congresso para debater sobre a alta do teto da dívida.

Obama pediu a ambas partes que lhe apresentassem um plano crível de redução do deficit durante o fim de semana. Mas nenhum programa foi apresentado. Os impostos continuam sendo o principal tema de confronto.

fonte: Folha.com

quinta-feira, 16 de junho de 2011

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China vai superar Japão como maior consumidor de luxo em 2012, diz relatório

A China vai superar o Japão como o maior consumidor de artigos de luxo do mundo em 2012, de acordo com um relatório da Associação Mundial do Luxo (WLA) citado nesta segunda-feira pela agência oficial de notícias chinesa Xinhua.


Segundo a WLA, a expectativa de vendas na China para o próximo ano é de US$ 14,6 bilhões. A empresa de consultoria internacional McKinsey já tinha previsto em março que isso deveria ocorrer antes de 2015.

O Boston Consulting Group, indicou a "Xinhua", também estima que a China se transforme no maior mercado de luxo do mundo e que o nível de vida em mais de 330 cidades supere o atual de Xangai, capital financeira e econômica do país, nos próximos dez anos.

O ranking da WTA classifica a China em segundo lugar, com uma participação de 27% no mercado global ao fim de maio, pouco menor que o Japão (29%), e superior aos Estados Unidos (14%) e à Europa (18%).

Atualmente, quase dois terços das marcas mais luxuosas do mundo abriram franquias na China, inclusive durante a recessão econômica global, segundo a agência de notícias.

O interesse dessas empresas no mercado chinês se refletiu na Exibição Internacional de Luxo de Tianjin, porto de crescente importância próximo a Pequim, realizada neste fim de semana. O evento contou com a presença de marcas como Louis Vuitton, Versace, Gucci, Cartier, Arman, Hermes, Ralph Lauren e Dior.

"Por enquanto, os consumidores chineses se fixam mais na marca do que na cultura que está por trás dela", declarou à Xinhua o presidente de honra da exibição, Wang Weiguo. Ele destacou, no entanto, que "o mercado tem um potencial gigante" na China.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 15 de junho de 2011

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Vale manterá política de preços para minério de ferro

A Vale não vai alterar sua fórmula de preços para minério de ferro, afirmou o diretor de marketing global da mineradora, Pedro Gutemberg.


A maior produtora mundial de minério de ferro, no entanto, está sugerindo uma nova fórmula de preços para pelotas, disse o executivo em uma conferência em Genebra.

Atualmente, a pelota de minério de ferro é integralmente negociada entre clientes e produtores a cada trimestre.

"Estamos tentando convencer os clientes a aceitar que temos um preço de conteúdo de minério de ferro, como fazemos com multas, e depois temos um prêmio de conversão", afirmou Gutemberg.

"É um conceito dúbio e queremos separar (os dois componentes do preço)", acrescentou ele.

O executivo disse ainda que espera que a demanda por minério de ferro no Japão alcance 90% dos níveis pré-crise no quarto trimestre.

"A demanda de minério de ferro no Japão estava em quase 90% dos níveis pré-crise antes do terremoto (em março) e após a recuperação do desastre irá retornar a esse nível no quarto trimestre."

Segundo Gutemberg, a demanda na Europa foi retomada e está em cerca de 85% dos níveis pré-crise global.

"Todos os mercados estão se recuperando bem da crise. Vemos a China muito forte", completou.

Ele afirmou que a Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, não estava preocupada com o impacto que teria o aperto monetário na China sobre a demanda de minério de ferro.

"Ele (aperto) é uma acomodação natural", disse o executivo.

A China importa cerca de 60% do minério de ferro que necessita para produzir aço.

A Vale exportou cerca de 260 milhões de toneladas de minério no ano passado, sendo 130 milhões de toneladas para a China, contra um pico de 140 milhões de toneladas em 2009.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 8 de junho de 2011

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Economia chinesa crescerá acima de 8% até 2013, diz Banco Mundial

A economia da China crescerá a uma média superior a 8% ao ano até 2013, segundo o relatório de estimativas globais do Banco Mundial (BM) apresentado nesta quarta-feira em Pequim e em outras cidades simultaneamente.


A estimativa do BM representa uma queda em torno de 1% ao ano, mas especialistas do organismo internacional descartam que se trate de um mau sinal.

"Não deve ser levado como algo preocupante, mas como um caminho necessário para conseguir índices de crescimento sustentáveis", disse Hans Timmer, o diretor do Grupo de Perspectivas do BM.

Sobre a pressão inflacionária que experimenta a China, Timmer minimizou seu impacto imediato e assinalou que "a chave do êxito chinês não está na demanda, mas na oferta, já que o país aumenta ano após ano sua produtividade, o que levará a uma evolução propícia da economia a médio e longo prazo".

O diretor também chamou a atenção sobre a necessidade de ajustar o gasto fiscal, já que apesar de as contas chinesas estarem equilibradas, devem manter uma margem de manobra considerável para fazer frente a possíveis turbulências financeiras globais.

Por sua parte, o economista do BM na China, Ardo Hansson, acrescentou que a China adotou as medidas corretas para enfrentar a crise internacional, mas agora deveria implementar mais políticas de mercado que de estado, em concordância com as políticas macroeconômicas atuais.

Consultado sobre a relação entre a China e outros países emergentes da América Latina, como o Brasil, Timmer destacou que a relação dos emergentes "excede o meramente comercial e desponta como um importante bloco financeiro", podendo chegar a superar os que mantêm com os Estados Unidos e a União Europeia.

Timmer e Hansson concordam com a possibilidade de o iuane, a moeda chinesa, se transformar em referência no mercado internacional em um prazo não maior que 20 anos, embora para isso seja necessário, segundo eles, uma maior abertura do mercado financeiro chinês.

O BM prevê que à medida que os países em desenvolvimento alcancem sua capacidade instalada (infraestrutura necessária para produzir), o crescimento diminuirá dos 7,3% de 2010 a algo em torno de 6,3% ao ano entre 2011 e 2013.

Fonte: Folha.com

terça-feira, 17 de maio de 2011

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China vai investir US$ 8 bi no Brasil em 2011, diz Pimentel

O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) anunciou nesta segunda-feira que a China vai investir US$ 8 bilhões no Brasil em 2011. A informação foi dada após reunião com o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, no Ministério do Desenvolvimento.

Esse valor já inclui os investimentos que serão feitos pela Foxconn no país para a montagem do iPhone e iPad em sua fábrica em São Paulo --a previsão é de que somem US$ 12 bilhões (R$ 19 bilhões) em cinco anos no país.

"O número que nós estamos estimando é em torno de US$ 8 bilhões em investimentos chinês esse ano. Contando aí já a primeira parte da Foxconn", declarou Pimentel.

Pimentel disse ainda que o Brasil deve aumentar em 20% suas exportações para a China. O país asiático é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil e, em 2010, importou R$ 30,8 bilhões em produtos brasileiros.

"O nosso comércio com a China está aumentando muito. A nossa previsão é aumentar mais de 20%. Este ano estamos prevendo passar isso aí para US$ 37 bilhões. É um volume significativo. É o nosso principal parceiro comercial", afirmou o ministro.

Mais cedo, após encontro no Palácio do Itamaraty, o ministro chinês disse que a China planeja investimentos na ordem de US$ 1 bilhão no Brasil --não foram considerados os números da Foxconn.

"Sei que empresários chineses têm um foco no Brasil. Já investiram na Europa, agora estão com outro foco", disse.

Atualmente, o investimento chinês fora da China já atinge US$ 59 bilhões, e a promessa do ministro é de que cresça cada vez mais rápido.

Segundo Deming, a área primordial para os chineses será de infraestrutura, sobretudo energia. Ele disse que existe um interesse chinês em linhas de transmissão, um dos gargalos no setor no Brasil. O ministro citou ainda investimentos em ferrovias, portos e comunicações.

Deming disse ainda que existe o interesse da empresa Sany Heavy Industry, de máquinas para construção civil, em investir US$ 200 milhões no Brasil.

De acordo com Pimentel, a Sany Heavy Industry já está em contato com uma prefeitura no sul de Minas Gerais para a construção de um fábrica neste local. Pimentel disse que essa empresa está de olho na demanda que vai surgir com a exploração do pré-sal.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 27 de abril de 2011

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FMI estima que China ultrapassará EUA em cinco anos

Uma estimativa indicando que a economia chinesa superará a americana em apenas cinco anos abriu um debate entre especialistas econômicos sobre um iminente fim da "era americana" no cenário mundial.

O debate foi aberto pelo website MarketWatch, do diário financeiro americano "The Wall Street Journal".

Em um artigo intitulado "A bomba do FMI: A Era Americana se Aproxima do Fim", o colunista Brett Arends analisa como o avanço econômico chinês põe em questão a hegemonia dos Estados Unidos no cenário mundial.

Os dados são estimativas extraídas do mais recente Panorama Econômico Mundial, o relatório World Economic Outlook, produzido pelo Fundo Monetário Internacional.

Segundo o FMI, em 2016 o PIB chinês medido pelo critério de poder de compra atingirá US$ 19 trilhões e superará o americano (US$ 18,8 trilhões) pela primeira vez na história.

Esse critério de medição do PIB considera o poder aquisitivo em determinado país, considerando não apenas os rendimentos, mas as diferenças de custo de vida entre os países.

Em cinco anos, China e Estados Unidos responderiam, respectivamente, por 18% e 17,7% da economia mundial, indicam as estimativas do fundo.

Por outro critério amplamente utilizado internacionalmente, entretanto, os EUA continuam e continuarão sendo de longe mais poderosos economicamente que a China.

Medido a preços correntes, no qual o valor da produção é convertido em dólares para efeito de comparação, o PIB americano (US$ 18,8 trilhões) ainda permaneceria quase 70% maior que o chinês (US$ 11,2 trilhões) em 2016.

FIM DE UMA ERA

Após o início da discussão, o FMI respondeu ao "WJS", afirmando não considerar adequado o critério usado pela coluna para basear suas ideias.

"Na paridade de poder de compra, os preços são influenciados por serviços não-comerciáveis, que são mais relevantes no plano doméstico que no plano global", disse, em nota, o fundo.

Ainda assim, o colunista do WSJ considerou que a comparação pela qual a China superaria os EUA em 2016 "é a que importa". "As taxas de câmbio variam rapidamente. E as taxas de câmbio adotadas pela China são falsas. A China mantém a sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizado através de grandes intervenções no mercado", escreve Arends.

"Isto é muito mais que uma questão de estatística. É o fim da Era Americana."

Outros especialistas econômicos acataram a mensagem de longo prazo trazida pela polêmica no "WSJ".

Um comentarista econômico do jornal britânico "Daily Telegraph" notou que as projeções do FMI serão "profundamente preocupantes para muitos americanos que temem que seu país esteja a ponto de ser ofuscado no curto prazo pela China e, mais adiante neste século, a Índia, ambos que, com uma população combinada de 2,5 bilhões de pessoas, fariam os 300 milhões que vivem nos Estados Unidos parecerem poucos".

Os autores da coluna "Beyondbrics" ("Além dos Brics", em tradução livre), do prestigiado "Financial Times", avaliaram que a questão da ascensão chinesa e a queda americana é "um debate contínuo".

Em outros veículos, a "disputa" China x EUA também está em foco. Em dezembro, a revista "Economist" propôs uma "brincadeira" para tentar definir a data em que o país asiático superará o ocidental pelos critérios de preços correntes.

A revista até criou um gráfico online (http://www.economist.com/blogs/dailychart/2010/12/save_date) no qual os usuários podem incluir os seus próprios parâmetros e assim calcular a data na qual os dois PIBs se cruzarão.

A revista aposta que, mantidas as atuais taxas de crescimento americana e chinesa, e levando em conta uma leve apreciação do yuan, a moeda chinesa, ao longo dos próximos anos, a China superará os Estados Unidos por volta de 2019.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 18 de abril de 2011

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Viagem à China abriu portas para produtos brasileiros, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou que sua viagem à China serviu para "abrir" portas aos produtos brasileiros nesse país, citando a negociação para que a Embraer venda cerca de US$ 1 bilhão em jatos para o gigante asiático.


"Um dos acordos que firmamos foi abrir o mercado chinês para a exportação de carne de porco. Um outro, ainda, foi para a venda de aviões. A Embraer já vende aviões para a China mas, nessa viagem, nós combinamos a venda de 35 aviões da família B-190. São jatos que vão gerar em torno de US$ 1 bilhão para o Brasil", disse ela, no programa semanal de rádio "Café com a Presidenta".

"Hoje nós vendemos muita matéria-prima para a China. Queremos vender a matéria-prima, mas também queremos vender os produtos mais elaborados. Vou explicar com um exemplo: o produto que mais vendemos para os chineses é o minério de ferro. Queremos também vender aço e mesmo produtos acabados de aço", acrescentou.

Dilma também comentou que os anúncios recentes das empresas chinesas ZTE e Foxconn, que devem investir no país para a produção de artigos de informática e telefonia em território brasileiro, com destaque para a segunda, que prometeu aplicar US$ 12 bilhões.

"No ano passado, o Brasil foi o terceiro país que mais vendeu computador no mundo, e isso significa um grande mercado potencial", disse a presidente.

Fonte: Folha.com

quinta-feira, 14 de abril de 2011

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'Para chineses, aço é quase um alimento', diz Martins, da Vale

A China produz hoje, sozinha, mais aço do que o total fabricado por todos os outros países. O desempenho, consequência de uma estratégia traçada há cinco décadas pelo líder Mao Tsé-tung (1893-1976), dá a dimensão da importância da siderurgia para a economia do país e faz com que o setor atraia grande atenção do cidadão chinês comum, segundo o diretor-executivo de Marketing, Vendas e Estratégias da Vale, José Carlos Martins.


"Não estamos falando de uma simples commodity. Para os chineses, o aço é quase como um alimento, como o arroz e o feijão são para os brasileiros", diz Martins, também encarregado das operações de ferrosos da Vale.

Maior mineradora do Brasil e segunda maior do mundo, a Vale tem se beneficiado do apetite das siderúrgicas chinesas: no ano passado, anunciou um lucro recorde (R$ 30,1 bilhões), alimentado em grande medida pelas exportações para a China de minério de ferro, principal matéria-prima do aço.

Em entrevista à BBC Brasil, Martins diz que a Vale também tem se empenhado em exportar produtos de maior valor agregado, como pediu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas cita barreiras ambientais como entraves a empreendimentos industriais.

BBC Brasil - Os preços das commodities estão em alta nos últimos anos, mas esse mercado está sujeito a oscilações, e há previsões de que o crescimento chinês possa desacelerar bruscamente com o estouro de uma bolha no setor imobiliário. A Vale considera essa hipótese?

José Carlos Martins - Às vezes as pessoas se impressionam por nuances macroeconômicas, mas isso é só espuma. A China ainda tem muita gente para passar do campo para a cidade. Se a velocidade desse processo for muito grande, vai gerar pressão inflacionária, mas o governo chinês percebeu esse fenômeno e o está controlando.

Mas não existe só a China. Há mais 3,6 bilhões de pessoas na Ásia num processo de urbanização. Mesmo que a China reduza a expansão, o fenômeno asiático continuará mantendo uma demanda forte.

BBC Brasil - Quais são as particularidades de negociar com os chineses?

Martins - A China é uma nação de 5 mil anos, e eles sempre foram grandes mercadores. Passaram por uma experiência socialista, até que o Deng Xiaoping iniciou processo de abertura. O problema deles foi só relembrar.

É um povo muito fácil de tratar, que tem uma similaridade brutal em seu comportamento com os brasileiros. Antes de fazer negócios, o chinês quer conhecê-lo, processo que normalmente inclui alguns tragos. Eles têm a percepção de que as pessoas mostram mais quem são quando bebem um pouco e estão mais abertas.

BBC Brasil - Algumas empresas brasileiras se queixaram publicamente de que parceiros ou clientes chineses tendem a querer resolver problemas diretamente com o governo brasileiro e não com o setor privado. O senhor compartilha dessa experiência?

Martins - Isso é natural numa economia de planejamento central, onde diretrizes são sempre definidas pelo governo. Acredito que, com a velocidade com que estão se desenvolvendo, mais e mais eles vão se assemelhar ao nosso sistema. Temos que administrar melhor essas tensões.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 11 de abril de 2011

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Dilma chega à China para alavancar comércio de produtos elaborados

Pequim, 11 abr (EFE).- A presidente Dilma Rousseff chegou nesta segunda-feira à China em sua primeira viagem oficial para reverter o comércio atualmente majoritário de matérias-primas - US$ 30,7 bilhões em 2010 - para outro que inclua a compra pelo gigante asiático de produtos brasileiros elaborados de valor agregado.


Após dedicar boa parte do dia a uma visita particular, Dilma inicia na terça-feira o Diálogo Bilateral de Alto Nível em Ciência, Tecnologia e Inovação, e encerrará um seminário de empresas que buscam negócio e parceiros na China, inaugurado hoje, antes de se reunir com o presidente Hu Jintao.

Na quarta-feira, Dilma se reunirá com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, e o presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Legislativo), Wu Bangguo, antes de viajar para a ilha chinesa de Hainan (sul) para participar da cúpula dos Brics (Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul).

Na abertura do seminário de negócios com empresas brasileiras e chinesas, em paralelo à chegada da presidente, o vice-ministro de Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, destacou que "se se quer uma associação estratégica bilateral deve-se trabalhar conjuntamente".

O Brasil tem uma indústria importante e dinâmica, e existe a vontade política do Governo brasileiro de crescer nas vendas de produtos com mais valor agregado e o "win win" (benefício mútuo) é fundamental, disse à Agência Efe o vice-ministro.

No seminário também discursou o ministro de Indústria, Comércio Exterior e Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e as empresas destacaram a importância do apoio político de Dilma para vender para a China mais produtos de valor agregado, que o Brasil fabrica e o gigante asiático compra em outras partes do mundo.

A reunião, convocada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), braço do Governo para fomentar a exportação, quer abrir mercados, disse à Efe Teixeira, também secretário-executivo do Grupo de especialistas de Relações Exteriores, Fomento, Indústria e Comércio Exterior para a estratégia com a China.

Logo após chegar a Pequim, Dilma se reuniu, segundo a Chancelaria brasileira, com Ren Zhengfei, presidente de Huawei, gigante chinês de equipamentos de telecomunicações, presente no Brasil e em 13 países da América Latina e que compete com a ZTE, o outro gigante chinês do setor, após ter conquistado mercados de Ásia e África.

Em janeiro, a Telebrás rejeitou um recurso de apelação da Huawei, desqualificada em uma licitação para a banda larga, por não cumprir com o equipamento tecnológico apresentado nos requisitos solicitados.

A empresa chinesa diz sofrer uma campanha de desprestígio e contratou várias firmas de relações públicas para melhorar sua imagem por causa das dificuldades que enfrenta.

Também para entrar nos EUA, onde um funcionário do Ministério de Comércio chinês acusou Washington de utilizar preocupações de segurança nacional para "interferir" nos investimentos chineses ali (a Huawei tentou adquirir nesse país a 3Leaf Systems, ação que o Comitê Federal de Investimento Estrangeiro barrou).

No Brasil, a Huawei é o fornecedor líder de redes ópticas DSLAM, segundo na classificação de IP de Backbone da Telemar, participa das redes 3G (em cooperação com CTBC) e é o vendedor líder para a Telefónica Metro Ethernet.

Além disso, trabalha com operadores nacionais como Telemar, Brasil Telecom, Telefónica, Embratel, Vivo, Claro, TIM, Intelig, Telemig, CTBC Telecom e GVT, departamentos de Governo e grandes companhias financeiras, informa um comunicado oficial.

Fundada em 1987 por um ex-militar chinês, a Huawei conseguiu se associar com a maioria das empresas líderes de telecomunicações e lucrou mais de US$ 28 bilhões em 2010, graças a acordos na Europa, África e Oriente Médio, e na América Latina se transformou em um dos principais fornecedores.

Fonte: EFE

quarta-feira, 30 de março de 2011

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"Empresários brasileiros precisam estudar melhor mercado chinês"

Embaixador da China ainda defendeu um planejamento para as próximas décadas no comércio entre os dois países.

BRASÍLIA - Os empresários brasileiros precisam "fazer um esforço" e "estudar com mais atenção o mercado chinês" para ampliar o comércio com a China. A advertência foi feita pelo embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, em entrevista na tarde desta segunda-feira, 28.


Ao tratar da visita da presidente Dilma Rousseff a seu país, em meados de abril, o embaixador afirmou que os dois países já têm um nível de comércio muito alto e não se pode pensar em um planejamento para um ou dois anos. "Temos que pensar nas próximas décadas", disse.

Qiu Xiaoqi afirmou que entende a preocupação do Brasil com o fato da China comprar basicamente commodities brasileiras e exportar produtos manufaturados. "Estamos fazendo um esforço para um comércio mais equilibrado em todos os sentidos, inclusive na estrutura do comércio", disse. "Mas é importante que os empresários brasileiros estudem com mais atenção o mercado chinês. É um mercado aberto. É importante que as associações de empresários façam estudos mais profundos para que, com isso, possam fazer um trabalho mais eficiente".

O embaixador revelou, ainda, que os empresários chineses pretendem sair do Fórum com a presidente, marcado para a visita a Pequim, com mais possibilidades de investimento no Brasil. "Um aspecto importante é a diversificação dos interesses chineses no Brasil", afirmou.

Perguntado sobre o câmbio supervalorizado da moeda chinesa e se seria um tema do encontro com a presidente, Qiu Xiaoqi afirmou que "esse não é um tema de reunião bilateral e não será importante". De acordo com o embaixador, a China desvalorizou em 30% sua moeda nos últimos 15 anos e "vai persistir nessa atitude responsável". "Não vamos fazer nada sobre pressão. Não é saudável para a economia mundial", disse.

Fonte: Agência Estado

terça-feira, 29 de março de 2011

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Santander se associa ao CCB para ter acesso ao vasto mundo rural chinês

O banco espanhol Santander e o Banco de Construção da China (CCB, na sigla em inglês) estabelecerão uma sociedade conjunta na China com um investimento de 3,5 bilhões de yuans (US$ 530 milhões) para operar em uma centena de filiais de zonas rurais do gigante asiático.


O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo CCB, segunda maior entidade bancária da China por valor de mercado, em seu relatório anual de resultados à Bolsa de Hong Kong, detalhando que eles controlarão 80,1% da sociedade conjunta e o Santander 19,9% restantes (máximo permitido para entidades estrangeiras no setor financeiro chinês).

Além disso, no segundo ano de operações se projeta investir 2,5 bilhões de yuans (US$ 380 milhões) na sociedade conjunta.

O acordo, que marcará as primeiras operações diretas do Santander no setor bancário chinês --embora o banco espanhol conte há anos com um escritório de representação no país-- está ainda pendente de aprovação por parte das autoridades reguladoras chinesas.

Pelo acordo, CCB (de propriedade estatal) e Santander devem abrir uma centena de filiais bancárias em zonas rurais da China, nas quais atualmente domina outra entidade do Estado chinês, o Banco Agrícola da China, e onde há um enorme potencial de mercado (mais de 700 milhões de habitantes).

Fonte: EFE

quinta-feira, 24 de março de 2011

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Governo cria Grupo China para definir estratégia de longo prazo com chineses

A corrente de comércio Brasil-China fechou 2010 em US$ 56,3 bilhões, um crescimento de US$ 20 bilhões sobre o resultado alcançado em 2009. No ano passado, o Brasil foi superavitário em US$ 5,1 bilhões, mas cerca de 68% das exportações brasileiras estão concentradas em minério de ferro e soja


Rio de Janeiro – A relação econômica com o mercado chinês, maior parceiro comercial do país, motivou o governo brasileiro a criar o Grupo China, reunindo técnicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A informação é do secretário executivo do MDIC, Alessandro Teixeira.

É a primeira vez, segundo ele, que o governo cria um grupo interministerial com a função de estudar a relação comercial com um determinado país. “Isso foi comandado pelo ministro Fernando Pimentel [MDIC] e pelo ministro [Antonio] Patriota [MRE], por ordem direta da presidenta [Dilma Rousseff], para que se tenha um trabalho específico de buscar cooperação com a China”, afirmou.

Teixeira destacou que o mercado chinês representa um desafio em termos de parceria e na busca de nichos para exportação.“Estamos consolidando a formação do Grupo China dentro do governo, para termos uma estratégia especial, definida e de longo prazo. O Brasil se prepara, nos próximos anos, para ser uma das cinco maiores economias do mundo.”

Para ele, a situação chinesa demanda estratégias inovadoras de inserção comercial. “A China hoje é um fator diferente. Porque ela produz qualquer produto com a metade do custo da média mundial. Então isso é um problema para o Brasil e também para os outros países. Haverá setores que vão perder competitividade e podem ter problemas. É o caso de brinquedos, têxtil e vestuário. Só vamos conseguir ganhar mercado se nos especializarmos em nichos.”

O secretário participou do Projeto Carnaval da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), que transformou um camarote no Sambódromo do Rio em um verdadeiro ambiente de negócios, trazendo 150 empresários de diversos países para conversarem, de forma informal e descontraída, com empresários brasileiros do comércio exterior.

A corrente de comércio Brasil-China fechou 2010 em US$ 56,3 bilhões, um crescimento de US$ 20 bilhões sobre o resultado alcançado em 2009. No ano passado, o Brasil foi superavitário em US$ 5,1 bilhões, mas cerca de 68% das exportações brasileiras estão concentradas em minério de ferro e soja. Já os chineses exportam para o Brasil principalmente produtos de alta tecnologia, sendo 30% eletroeletrônicos, especialmente componentes de informática e telefonia.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 21 de março de 2011

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China deve superar EUA em 2019, prevê economista de Princeton

Com crescimento mais acelerado, o PIB da China vai superar o dos EUA em 2019, prevê Gregory Chow, economista de universidade de Princeton. O país asiático terá uma expansão média de sua economia de 8% de 2011 a 2019, enquanto, nos Estados Unidos, o avanço será menor --de 3,5% ao ano.

Hoje, o PIB da China corresponde a 70% do norte-americano, considerando o conceito de Paridade de Poder de Compra adotado pelo Banco Mundial. Por tal critério, é levado em conta o poder real de compra de cada moeda, descontados os efeitos das diferentes taxas de câmbio.

Para o economista, três fatores explicam o rápido crescimento chinês: o elevado grau de qualificação da força de trabalho, a adoção desde os anos 80 de instituições de mercado e o seu próprio estágio anterior de baixo de desenvolvimento e renda --ou seja, havia espaço para crescer.

A adoção de reformas graduais, diz, permitiu a evolução do "capital humano" e despertou "o espírito empresarial", que atualmente "impulsiona mudanças econômicas da China e inovações."

Segundo Chow, "o governo chinês tem cooperado com os empresários chineses em investir no exterior" e permite "a concorrência entre os investidores" locais. Desse modo, diz, torna o "processo de investimento mais eficiente."

A "estabilidade política", diz, é outro fator de impulso da economia. No caso, o economista se refere à ditadura chinesa, controlada pelo Partido Comunista, o único do país.

Chow participou nesta quinta-feira de um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

Fonte: Folha.com